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USMC 1st Armored Car Squadron: O início dos blindados nos Estados Unidos

O 1º Esquadrão de Carros Blindados era uma unidade do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos que se destinava a utilizar carros blindados em combate.
A unidade foi formada em 1916 na Filadélfia sob o comando do Capitão da Marinha Andrew B. Drum*, que se enquadrava na sede do então novo 1º Regimento de Fuzileiros Navais.
Durante a Primeira Guerra Mundial, o General Pershing recusou a oferta do Comandante do USMC George Barnett de enviar-se uma divisão de fuzileiros navais para a Europa.
Se o General Pershing tivesse aceitado a oferta do General Barnett, é altamente provável que o 1º Esquadrão de Carros Blindados tivesse sido enviado junto com essa divisão.
O 1º Esquadrão de Carros Blindados foi dissolvida em Quântico em maio de 1921 contando com uma frota de oito King Armored Cars.
Cinco dos veículos foram usados na invasão e ocupação do Haiti e na intervenção em Santo Domingo até 1927.
Todos os carros foram finalmente descartados em 1934.

Um blindado primitivo: King Armored

Inspirado pelo uso do Exército Britânico do carro blindado Rolls-Royce, Franklin Roosevelt (então Secretário Assistente da Marinha e futuro presidente dos Estados Unidos) comprou dois veículos da Armor Motor Car Company de Detroit.
Estes foram testados e mais seis carros blindados King Armored foram adquiridos e designados para a esquadra.
O carro blindado King Armored Car foi fabricado pela Armored Motor Car Company (Companhia de Carros Blindados de Motores – AMC).
Primeiro veículo blindado americano, foi encomendado pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos em 1915 para testes antes de ser usado pelo 1º Esquadrão de Carros Blindados, que consistia de  uma frota de oito carros.
O carro tinha uma metralhadora Lewis (M1895 Colt-Browning nos modelos anteriores) montada em uma torre blindada para proteger o artilheiro de fogo de armas pequenas.
Essa torre foi projetada para ser bastante fácil de transportar e podia ser levada inteira para terra ou podia ser separada em partes menores para ser colocada em embarcações de desembarque, levada para terra e remontada na praia.
Entretanto, o King Armored Car não podia ser considerado um sucesso absoluto, pois não era muito confiável.
Este problema foi agravado, durante seu tempo em serviço, pela falta de mecânicos qualificados e peças de reposição, sempre escassas e distantes (inexistência de uma logística para o veículo).
O King Armored Car era bem representativo de uma indústria automobilística que ainda engatinhava nos Estados Unidos, apresentando soluções mecânicas simples e bastante limitadas.
No entanto, como demonstrador de conceitos e como veículo de testes serviu ao seu propósito, sendo rapidamente superado pela evolução dos blindados europeus durante e após o fim da 1ª Guerra Mundial.
O veículo era movido por um motor a gasolina V8 protegido por chapas de aço e tinha uma tripulação formada por três fuzileiros, um motorista, o atirador e o comandante do carro.
A “blindagem” do carro consistia de placas de aço com 12mm de espessura, e adicionalmente podiam ser anexadas as laterais do veículo placas extras de aço combinadas com uma moldura de madeira.
Uma espécie de “ponte portátil” dividida em duas partes também podia ser afixada pelo mesmo método, permitindo a travessia de pequenos obstáculos que não excedessem o comprimento do veículo.
O King Armored Cars pesava, pronto para emprego, cerca de duas toneladas e meia.
Um exemplar encontra-se preservado no Museu do USMC (fotos a cores desse artigo).
*Andrew B. Drum participou da 1ª Guerra Mundial e destacou-se como instrutor de artilharia antiaérea ao introduzir novas técnicas de pontaria e engajamento.
Promovido a capitão em 22 de maio de 1917, Drum comandou a 15ª Companhia quando ela foi designada para o 5º Regimento de Marinha.
Seu regimento tornou-se parte da Força Expedicionária Americana quando os Estados Unidos destacaram forças para combater na Primeira Guerra Mundial.
Em fevereiro de 1918, ele era diretor da escola americana de artilharia antiaérea em Langres, França, onde desenvolveu métodos únicos de treinamento de artilheiros antiaéreos e forneceu defesa aérea da área próxima à escola.
Durante os anos 20 e 30, Drum foi promovido até a patente de tenete-coronel, e entre 1934/1935  ele comandou o mundialmente conhecido 6º Regimento do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos baseado no lendário Campo Lejeune, na Carolina do Norte.
Ele serviu na Segunda Guerra Mundial, eventualmente alcançando o posto de coronel, e morreu em 22 de janeiro de 1955.

Ele está enterrado ao lado de sua esposa no Cemitério Nacional de Arlington.

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Roberto Caiafa
Jornalista e Repórter Fotográfico especializado na Editoria de Defesa com mais de 15 anos de experiência profissional. Corresponsal no Brasil de Infodefensa desde abril de 2011. Youtube Canal Caiafamaster (https://www.youtube.com/c/caiafamaster)

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