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NORTHROP YF-23 SUPER CAÇA STEALTH DERROTADO PELO YF-22 NA COMPETIÇÃO ATF (ADVANCED TACTICAL FIGHTER)

O YF-23 é conhecido mundialmente por ter sido derrotado pelo YF-22, na competição Advanced Tactical Fighter ou ATF, resultando na entrada em serviço do F-22 Raptor, que mesmo após trinta anos do seu 1º voo, ainda é a referência a ser batida por TODOS os outros caças existentes no mundo.

Conheça agora a história da aeronave revolucionária que acabou preterida por ser sofisticada demais para a sua época!

Stealth, ou furtivo, é a palavra que define o projeto do caça de 5ª geração YF-23. A grande experiencia da Northrop com asas voadoras e os desenvolvimentos do Programa Have Blue deram a empresa o domínio em sistemas furtivos como entradas de ar não reflexivas aos radares e sistemas de exaustão dos gases dos motores encobertos para mínima assinatura infravermelho ou IR, tecnologias fundamentais para que o caça-bombardeiro F-117 e o bombardeiro B-2 (uma asas voadora sofisticada) penetrem espaço aéreo de alto risco sem serem detectados, destruindo alvos e retornando a base.

Essas tecnologias foram somadas as descobertas realizadas pelo Programa Tacit Blue, que investigou novas formas aerodinâmicas stealth controladas em voo por um sistema fly-by-wire digital multi-canal acoplado a computadores de alto desempenho, resultando em características de voo inovadoras.

Revelado pela Força Aérea Americana em 30 de abril de 1996, o Programa de Demonstração de Tecnologia Tacit Blue foi projetado para provar que tal aeronave poderia monitorar continuamente a situação no solo, profundamente atrás do campo de batalha, fornecendo informações sobre alvos em tempo real para um centro de comando em solo.

Assim, o YF-23 foi projetado em torno de formas lisas e contínuas não reflexivas na sua seção transversal de fuselagem, duas entradas de ar desenhadas para “esconder” os fans dos motores, asas em diamante com cortes retos, motores turbofan aumentados capazes de supercruise (velocidades supersônicas sem emprego de pós combustão), exaustores dos motores com avançado design 2D e sistemas para baixa assinatura IR, e finalmente, estabilizadores verticais duplos angulados para fora formando a cauda da aeronave.

O canopy do cockpit da aeronave, de alta resistência a impactos contra aves e com grande área de visibilidade, era montado sobre um nariz de desenho stealth inovador, apresentando a marca registrada do veículo Tacit Blue, a união das linhas superior e inferior do nariz da aeronave formando uma espécie de cinta em relevo.

Toda a aviônica de bordo era nova, com grande capacidade computacional, novas telas e displays multifuncionais a cores, nova interface homem-máquina e uma inédita fusão de dados proporcionada por inúmeros e poderosos computadores instalados a bordo. Toda essa tecnologia não existia nas aeronaves mais antigas e hoje é o padrão da indústria aeroespacial.

O avançado sistema de controle de voo permitia ao novo avião realizar manobras impensáveis para aeronaves de gerações anteriores, de fato, a sensibilidade do sistema era tal que, no primeiro teste de táxi em Edwards, os comandos de voo sozinhos começaram a compensar os bumps (elevações e depressões) do pátio e da pista, o que exigiu que fossem “afinados” antes do 1º voo.

O Northrop YF-23A foi projetado para atender às necessidades de sobrevivência, facilidade de manutenção e capacidade supercruise. Para satisfazer este último requisito, a Pratt & Whitney (YF119-PW-100L) e a General Electric (YF120) também estavam numa competição paralela ao ATF.

Os chamados Augmented Turbofans (turbofans aumentados), eram motores novos, com uma tecnologia que também teria de ser criada. Os motores deveriam prover ao YF-22 e a YF-23 a capacidade de voo supersônico sem o uso da pós-combustão, resultando em economia de combustível e aumento do raio de combate e efetividade.

A Northrop construiu dois protótipos YF-23A: o YF-23 PAV-1 realizou o seu primeiro voo em 27 de agosto de 1990 com duração de 50 minutos. O piloto foi Alfred “Paul” Metz. O YF-23 PAV-2 fez seu primeiro voo em 26 de outubro, pilotado por Jim Sandberg.

PAV-1 recebeu uma pintura estilo carvão e foi oficialmente apelidado de Spider (Aranha) e Black Widow II (Viúva Negra II), uma referência a revolucionária aeronave de combate Northrop P-61 Black Widow, utilizada em combate pela 1ª vez ao final da Segunda Guerra Mundial.

O segundo protótipo, propulsado por motores General Electric YF120, foi pintado em dois tons de cinza e foi apelidado de “Grey Ghost“ ou Fantasma Cinzento.

O design do YF-23 apostou principalmente nas características stealth, e assim a Northrop decidiu não usar o empuxo vetorado para aumentar o controle aerodinâmico, como foi usado no Lockheed YF-22A, economizando em peso e potencializando a discrição da exaustão encoberta pela fuselagem.

O primeiro YF-23, com motores Pratt & Whitney, atingiu voo supercruise com velocidade de Mach 1.43 no dia 18 de setembro de 1990, enquanto o segundo atingiu Mach 1.6 em 29 de novembro de 1990. O YF-23 provou-se mais rápido que o YF-22 em qualquer fase de voo.

O YF-23 foi testado até a velocidade máxima de Mach 1.8 com pós-combustão e alcançou um ângulo máximo de ataque (AOA) de 25º. A velocidade máxima do caça ainda hoje é classificada como sigilosa, embora fontes afirmem que superava Mach 2 em altitude e, em regime de supercruise, fosse maior que Mach 1.6.

A baía de armas da aeronave foi configurada para o transporte e lançamento de armas ar-ar e ar-solo, mas nenhum míssil foi disparado pelos YF-23, enquanto os protótipos YF-22 dispararam com sucesso mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder e AIM-120 AMRAAM.

PAV-1 realizou uma demonstração de combate rápido com seis voos durante um período de 10 horas no dia 30 de novembro de 1990.

O teste de voo continuou em dezembro, com os dois YF-23 voando 50 vezes num período de 65,2 horas.

Os testes demonstraram os valores de desempenho previstos da Northrop, e assim ficou provado que o YF-23 era mais furtivo e mais rápido que o YF-22, mas este era mais ágil, e no final foi isso que pesou em favor do projeto da Lockheed.

No dia 23 de abril de 1991, o secretário da Força Aérea, Donald Rice, anunciou que o Lockheed YF-22 fora o vencedor e o motor escolhido fora o Pratt & Whitney YF119.

Foi dito na época que o avião da Lockheed apresentava menor risco de desenvolvimento e o gerenciamento de programa foi avaliado como mais efetivo.

Após a competição, ambos os YF-23, sem seus motores, foram transferidos para o Centro de Pesquisa de Voo Dryden da NASA, onde se planejava usar uma das aeronaves para testes de calibração de cargas, mas isso jamais aconteceu.

Os dois YF-23 permaneceram em armazenamento até 1996, quando foram transferidos para museus.

O YF-23A PAV-1, número de série 87-0800, número de registo N231YF, esteve em exposição até 2009 no Hangar de Desenvolvimento e Pesquisa do Museu Nacional da Força Aérea dos Estados Unidos, em Dayton, Ohio. Atualmente, encontra-se no Test Center Museum na Base Aérea de Edwards.

O YF-23A PAV-2, número de série 87-0801, número de registo N232YF, está em exposição no Western Museum of Flight, localizado em Zamperini Field (aeroporto municipal de Torrance), na Califórnia.

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Roberto Caiafa
Jornalista e Repórter Fotográfico especializado na Editoria de Defesa com mais de 15 anos de experiência profissional. Corresponsal no Brasil de Infodefensa desde abril de 2011. Youtube Canal Caiafamaster (https://www.youtube.com/c/caiafamaster)

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