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La Voz de los Refugiados – Operação Acolhida no CComSEx (EB)

Três dias de atividades promovem contato de migrantes com a prática do rádio nas instalações da Rádio Verde-Oliva (CComSEx) no Quartel General do Exército Brasileiro.

A semana foi de atividades intensas e muito proveitosas para os acolhidos que estão em Brasília.

Um grupo de onze migrantes venezuelanos esteve em Brasília  para um estágio, ocasião em que receberam noções de funcionamento e produção de rádio sob a ótica da Verde-Oliva.

O primeiro dia de atividades promovidas pelo CComSEx (Centro de Comunicação Social do Exército) incluiu uma cerimônia de abertura e apresentação do estágio e da estrutura de comunicação da Força.

Na sequência, os refugiados conheceram de perto a estrutura de uma rádio e viram a apresentação da rádio Verde-Oliva Brasília.

Neste mesmo dia, tiveram instruções sobre a mídia rádio, abrangendo a linguagem, características e também muitas informações sobre a confecção de spots, notas e roteiros.

Durante todo o 2º dia os onze “alunos” tiveram a chance de manusear os equipamentos e de absorver muito conhecimento em rádio.

Os refugiados e migrantes participaram de instruções oferecidas pelos profissionais da emissora Verde Oliva sobre locução ao vivo e gravada, operação de mesa de som, programação musical e programação comercial – inserções comerciais, entre outras aulas.

“Estou muito feliz e grato por esta oportunidade. A experiência toda é um aprendizado muito importante para nós, para nossa rádio comunitária. Vai nos servir para implementar novas ideias e novas técnicas”, disse Brayan Alexander Olmedo, colaborador da rádio “La Voz dos Refugiados”, morador do abrigo Rondon 3.

No 3º e último dia de atividades foram aplicadas as lições aprendidas, com a produção de roteiro, textos e entrevistas para a produção de podcast usando todos os recursos aos quais os 11 “alunos” foram apresentados.

Como resultado, os três arquivos gravados em estúdio, masterizados e editados foram apresentados em audições comentadas tanto pelos instrutores brasileiros quanto pelos 11 venezuelanos, comprovando que os “alunos” assimilaram muitíssimo bem todos os ensinamentos teóricos durante a prática aplicada.

Após o fechamento dos trabalhos de estúdio, ocorreu uma cerimônia onde o CComSEx despediu-se formalmente dos integrantes da Operação Acolhida e dos 11 refugiados.

Nominalmente, citaremos a todos:

1- Jossymar Ortiz

2- Manangel Guevara

3- Arianny Suearez

4- Jesus Gavides

5- Jhoanna Cova

6-  Brayan Alexander Garces Olmedo

7- Mario Wopse

8- Katerine M. S

9- Jurketini Isenni Marin Rattia

10- Katiuska Rodrigues

11- Maria Andreina Gil

A RÁDIO VERDE-OLIVA

A Rádio Verde Oliva FM, com mais de 18 anos de sucesso e experiência, é uma rádio conectada com a sua audiência por meio de uma programação de credibilidade, com músicas e informações de qualidade aferida, contribuindo com a missão de preservar e fortalecer a imagem da Força e enriquecer a experiência educacional, cultural e cívica dos ouvintes.

A programação da Verde-Oliva FM pode ser ouvida por rádio, pela web e por aplicativos já conhecidos (Exército, TuneIn).

Rádio “A Voz dos Refugiados”

Através de um estúdio de rádio dentro de um abrigo temporário da operação Acolhida, voluntários refugiados e migrantes gravam programas com base em dúvidas da própria comunidade, a fim de combater rumores e desinformação.

A rádio “A Voz dos Refugiados” é um projeto da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em colaboração com a Associação Voluntários para o Serviço Internacional Brasil (AVSI Brasil), a partir de apoio do Governo de Luxemburgo.

Prepare seus ouvidos, pois a comunidade de refugiados e migrantes da Venezuela do abrigo Rondon III, em Boa Vista (RR), está enfrentando a desinformação com a rádio comunitária “La Voz de los Refugiados”.

Enquanto o venezuelano Mario Rodas usa seus conhecimentos como advogado para apresentar o programa “Derechos constitucionales” sobre leis trabalhistas e outras questões legais, o artista Erasmo Rangel e sua companheira Maria Andreina narram o programa “Momento Salud”, com notícias e fatos verdadeiros sobre a pandemia da COVID-19.

Os programas são todos em língua espanhola, e o som se propaga pelos alto falantes do Rondom III.

Em breve os programas serão reproduzidos em outros abrigos da Operação Acolhida – resposta governamental ao fluxo de refugiados e migrantes da Venezuela para o Brasil – na capital do Estado de Roraima.

Por meio de um estúdio que opera como um laboratório de rádio no abrigo, voluntários radialistas gravam programas em formato de podcasts a partir de dúvidas da própria comunidade e assim combatem os rumores e informações equivocadas que circulam nos abrigos e em redes sociais sobre COVID-19, documentação, acesso à direitos no Brasil, busca por trabalho e outros temas.

A combinação do engajamento comunitário e da infraestrutura de rádio permite que o abrigo Rondon III cultive uma cultura de pensamento crítico e boas práticas para compartilhar informações, o que é fundamental no contexto de deslocamento forçado e prevenção à COVID-19.

A inauguração da rádio comunitária “La Voz de los Refugiados” aconteceu recentemente (e pode ser ouvida no player ao final desta publicação), no abrigo Rondon III, que conta com mais de 1.200 refugiados e migrantes venezuelanos – é um dos 12 abrigos temporários da Operação Acolhida.

A inciativa é uma realização da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) com a Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI Brasil), com o apoio do governo de Luxemburgo.

“Muita gente no abrigo tem vergonha e dificuldade com o idioma, por isso não perguntam para os brasileiros sobre suas dúvidas. Ainda assim, moradores do abrigo circulam informações não confiáveis entre si. A rádio está ajudando muito, principalmente a estas pessoas”, conta a moradora de Rondon III, Katiuska Rodrigues de 56 anos.

O projeto conta com a participação de onze pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela que criam programas de rádio em formato de podcasts que são distribuídos via WhatsApp e disseminados nos autofalantes de outros abrigos da Operação Acolhida.

Assim, esclarecem as dúvidas da comunidade sobre o processo de integração no Brasil e combatem rumores que circulam entre a população abrigada pela Operação Acolhida.

“Esta é uma rádio comunitária, ou seja, uma rádio da comunidade para a comunidade. O grupo de voluntários tem um papel de extrema importância em promover a verdade e a conscientização sobre o compartilhamento de informações nos meios digitais, o que impacta as decisões e futuro de refugiados e migrantes no Brasil”, diz Lucas Ferreira, Assistente de Informação Pública do ACNUR Brasil.

“Falamos sobre leis trabalhistas, discriminação, documentação e vários outras temáticas. Mas o principal é identificar aquele erro de informação, aquela mentirinha que está circulando na comunidade e que pode acabar prejudicando alguém. Quando dizem, por exemplo, que um imigrante pode votar no Brasil. Ou que a fronteira abriu, sem realmente estar aberta”, conta Maria Andreina Gil, voluntária do projeto de 35 anos.

O chefe do escritório do ACNUR em Roraima, Oscar Sánchez Piñeiro, reforçou a importância de ter a comunidade protagonizando as produções da rádio, podendo assim realizar entrevistas com especialistas para melhor compreensão de temas como documentação, prevenção à COVID-19, acesso à direitos no Brasil e recomendações para encontrar trabalho. “Esta rádio é de vocês, refugiados e migrantes. A ideia é que vocês compartilhem estas informações e continuem buscando apurar a verdade e responder às preocupações de sua comunidade” disse Piñeiro durante a cerimônia de inauguração.

E na programação da rádio “La Voz de los Refugiados”, a busca por informação verídica continua. Os voluntários – e moradores do abrigo Rondon III – Kennedy Rodrigues e Maria José apresentam o programa “No Caemos en Rumores” para desmontar fake news sobre temas essenciais como documentação, acesso a trabalho, situação na fronteira e funcionamento dos abrigos da Operação Acolhida. Afinal, é como se diz o slogan da rádio: “cuidando da comunidade, cuidamos de nós mesmos”.

La Voz de los Refugiados: Da ideia à concepção

O projeto de rádio comunitária foi selecionado por meio de um edital de inclusão digital da Unidade de Inovação do ACNUR e financiado pela Diretoria de Cooperação para o Desenvolvimento e Assuntos Humanitários do Governo de Luxemburgo.

O edital buscou apoiar iniciativas lideradas pela população refugiada e migrante em suas comunidades para combater rumores que circulam entre essa população nos abrigos e por meios digitais si.

A iniciativa leva em consideração a rádio como uma ferramenta de comunicação e informação e é baseada em uma abordagem de engajamento da comunidade para identificar dúvidas e fornecer informações relevantes para estas pessoas.

A concepção do projeto se deu a partir de uma análise sobre desinformação nos abrigos e a necessidade de capacitar voluntários para o radiojornalismo como meio de enfrentar notícias falsas e rumoras.

A implementação se deu por meio da montagem de um estúdio de gravação e da instalação de um sistema de som, possibilitando assim realizar a produção e transmissão dos programas de rádio nos abrigos de Boa Vista, Roraima.

O primeiro passo do projeto foi realizar uma pesquisa com 80 pessoas de quatro abrigos de Boa Vista para investigar os impactos da desinformação nas comunidades e avaliar quais eram os temas de interesse dos venezuelanos para apoiar sua integração no Brasil.

A pesquisa identificou que 28% dos entrevistados já haviam presenciado impactos negativos advindos da circulação de notícias falsas em sua comunidade.

Após concluir o diagnóstico sobre rumores nos abrigos, a AVSI Brasil selecionou voluntários do abrigo Rondon III para receber uma formação de três módulos sobre radiojornalismo, verificação jornalística e técnicas de teatro jornal, que fazem parte da metodologia que deu origem ao Teatro do Oprimido de Augusto Boal.

Desta forma, os voluntários puderam propor diferentes roteiros de rádio em formato de podcast para tratar os temas de interesse da comunidade.

“O principal ponto da capacitação foi trabalhar com um grupo tão diverso de gênero, idade e formação sobre a rádio como ferramenta de comunicação comunitária, contribuindo, portanto, com a conscientização dos impactos de fake news em suas comunidades”, conta Camila Ignácio, Oficial de Comunicação da AVSI Brasil.

Com o fim da capacitação do grupo de rádio, foi implementado a infraestrutura de som e gravação nos abrigos Rondon I, Rondon II, Rondon III e Pricumã em Boa Vista.

Com o intuito de ter um centro de experimentação, aprendizado e co-criação de programas de rádio, foi montado um estúdio de gravação no Abrigo Rondon III, onde também são realizadas reuniões sobre pautas comunitárias e eventuais entrevistas com especialistas.

Após a criação e edição dos programas de rádio no estúdio, a infraestrutura de som das áreas sociais e de alimentação dos abrigos transmite os podcasts informativos.

Em tempos de pandemia, a infraestrutura de som também contribui para reforçar mensagens de prevenção à COVID-19, bem como transmitir notícias de apoio à integração dos venezuelanos no Brasil e outros avisos gerais.

Além da infraestrutura de som, a rádio comunitária tem um aspecto inovador que facilita a disseminação dos programas de rádio.

As produções são todas realizadas em formato de podcasts curtos, o que facilita a distribuição das gravações entre a comunidade por meio do WhatsApp e Youtube.

Para isso, um chatbot de Whastapp está sendo desenvolvido para facilitar a comunidade a ter acesso aos programas gravados pela rádio ‘La Voz de los Refugiados’.


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Roberto Caiafa
Jornalista e Repórter Fotográfico especializado na Editoria de Defesa com mais de 15 anos de experiência profissional. Corresponsal no Brasil de Infodefensa desde abril de 2011. Youtube Canal Caiafamaster (https://www.youtube.com/c/caiafamaster)

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