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DESTAQUE “UM SÉCULO DE BLINDADOS NO BRASIL. BRAÇO FORTE NA DEFESA DA PÁTRIA. AÇO!” Nº06

Veículos dos anos 50, 60, 70, 80 utilizados pela Força Blindada do Exército Brasileiro em fotos de Roberto Caiafa.

BERNARDINI XLP-10: Na segunda metade dos anos 70 o Estado Maior do Exército desenvolveu uma viatura blindada sobre lagartas para lançamento de ponte, aproveitando chassis de Viaturas de Combate excedentes.

Inicialmente foi nomeada uma comissão, composta por engenheiros do Instituto Militar de Engenharia – IME do Rio de Janeiro, que ficou encarregada de estudar e apresentar soluções para o projeto.

Para construir e integrar o sistema de lançamento elétrico foi contratada a empresa privada Bernardini S/A Indústria e Comércio de São Paulo.

Paralelamente, o Grupo de Trabalho do Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar, de São Paulo, parte do CPDB – Centro de Pesquisas e Desenvolvimento de Blindados, devidamente autorizado pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento de Exército – IPD, trabalhava em um sistema de acionamento hidráulico encomendado a empresa privada Biseli Ltda, a mesma envolvida com o projeto da família X-1, a modernização das viaturas de Combate leve M-3 e M-3 A1 Stuart, remanescentes da Segunda Guerra Mundial e que existiam em grande quantidade nos estoques do Exército Brasileiro.

 

Ao tomar conhecimento do projeto do IME, o pessoal do CPDB apresentou  ressalvas quanto ao acionamento elétrico por conta do lançamento não totalmente automático, obrigando o desembarque dos tripulantes para engate e desengate manual de cabos; altura do conjunto excessiva; lançador telescópio não funcional, etc.

Após a apresentação do relatório, a Diretoria de pesquisa e Ensino Técnico do exército – DPET optou pela solução hidráulica e concentrou todos os esforços em um único projeto sob a direção do CPDB em parceria com a Bernardini.

Ficha Técnica:

A – Generalidades:

Viatura Utilizada: CCL-X1

Motor: Scania DS 11 diesel 6 cilindros em linha turboalimentado de 260CV

Suspensão: quatro bogies com duas rodas de apoio cada e molas volutas

Transmissão: original do M3 A1 Stuart, com 5 marchas a frente e 1 a ré

Comprimento da ponte: 10 metros

Duração do lançamento e recolhimento: 3 minutos cada

Tripulação: 2 homens + motorista + auxiliar

Armamento: uma metralhadora .30 e quatro lançadores de fumígina

Sistema de comunicação: rádio

Autonomia: 540km em estrada e 320 em terrenos irregulares

Inclinação lateral máxima: 30%

Inclinação lateral máxima para operar a ponte: 10%

Rampa Máxima: 50%

Raio de curva: 6m

Trincheira: 1,40m

Vau: 1,30m

Velocidade máxima: 55 Km/h

B – Ponte em alumínio:

Peso: 2.600 kg

Largura externa: 2,65m

Largura interna: 1,36m

Largura de cada pista: 0,64m

Vão máximo de utilização: 8 metros

Trilhos de lançamento: Acoplados as pistas de rolamento composta de vigas em aço estrutural em forma de “C” estando nelas uma pista de roletes onde se engata a roda dentada para a tração da ponte.

Travessas paralelas articulares: Foi projetada de maneira a tornar a estrutura da ponte passiva á torças, permitindo adaptar-se as irregulares das margens pela flexibilidade que as barras paralelas rotulas lhe prestam.

C – Sapatas de apoio:

Destina-se a evitar o embarcamento do carro quando do avanço total da ponte sobre as vigas de lançamento, principalmente com terreno inclinado.

São formadas de uma sapata com 2m x 0,30m, dois pistões hidráulicos e um braço de tração. Este sistema é mecanicamente disposto de maneira a apoiar a sapata sobre o solo mesmo em plano diferente daquele em que a viatura estiver.

D – Sistema Hidráulico:

  • Corpo de comando com 3 alavancas;
  • Reservatório de óleo com 50 litros;
  • Bomba hidráulica acoplada diretamente ao motor por engrenagens;
  • Dois pistões hidráulicos de sapatas;
  • Dois pistões hidráulicos das vigas de lançamento;
  • Motor hidráulico para avanço e retração da ponte;
  • Válvula solenoide com sensor elétrico para evitar danos ao mecanismo pelo acionamento dos comandos fora da sequencia;
  • Válvula reguladora de vazão e pressão;
  • Tubulações rígidas flexíveis.

Os carros de combate X1-A1 foram um aproveitamento da disponibilidade de unidades e peças, dos carros Stuart. Este veículo serviu de base para o desenvolvimento de blindados no Brasil.

Esse “novo” carro possuia um motor Scania de 300hp a diesel, suspensão modernizada, nova blindagem superior, um rudimentar sistema controle de tiro e uma nova torre equipada com canhão DEFA 90 mm.

Na versão X1A2 – construído a partir da versão X1A1, foram feitas grandes modificações, desaparecendo qualquer semelhança com o Stuart original.

O veículo pesava 19 toneladas, tinha três tripulantes e canhão Cockerill de 90 mm.

VBC SHERMAN ENGENHARIA – ANOS DE 1980

Fundada em 1956, a Moto-Peças S.A. Transmissões e Engrenagens foi a maior indústria brasileira de componentes de câmbios e diferenciais da década de 70.

Com instalações industriais em São Paulo e Sorocaba (SP) participou, sob coordenação do Exército, de diversos projetos de revitalização de equipamento militares ultrapassados ou de difícil manutenção.

No início dos anos de 1980, em conjunto com o CTEx, a empresa desenvolveu um projeto de aproveitamento dos velhos tanques Sherman M-4, dos quais o Exército possuía grande quantidade, transformando-os em carros blindados para engenharia.

Montados sobre o chassi do M-4, do qual utilizava a suspensão e transmissão, foram equipados com lâmina frontal (intercambiável com um caça-minas) e grua hidráulica com lança rebatível e capacidade de içamento de até 10 t.

Comportando tripulação de até oito homens, pesavam 29 t e conseguiam arrastar viaturas de até 40 t.

Foi preparada uma pré-série de onze veículos, porém o resultado dos testes não foi satisfatório e o carro não chegou a ser homologado.

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Roberto Caiafa
Jornalista e Repórter Fotográfico especializado na Editoria de Defesa com mais de 15 anos de experiência profissional. Corresponsal no Brasil de Infodefensa desde abril de 2011. Youtube Canal Caiafamaster (https://www.youtube.com/c/caiafamaster)

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