COBERTURADESTAQUEENTREVISTAMARVÍDEO DO DIA

Entrevista Alte. Cunha e Alte. Calheiros: tudo sobre o novo Navio de Apoio Antártico do Brasil

Após o anúncio realizado pela Marinha do Brasil a bordo do NAm Atlântico, que sacramentou a escolha do Estaleiro Jurong Aracruz/SEMBCORP como vencedor da licitação para construir o novo Navio de Apoio Antártico (NApAnt), Canal Caiafamaster entrevistou o Diretor Geral de Material da Marinha, almirante José Augusto Vieira da Cunha de Menezes, e o Diretor de Gestão de Programas Estratégicos da Marinha, almirante Amaury Calheiros Boite Junior, no salão nobre do Nau-Capitânea da Esquadra.

Em pauta, o conceito do NApAnt, o Modelo de Obtenção e Aquisição, quem é o estaleiro Jurong Aracruz/SEMBCORP, o custo de aquisição orçado em R$ 750 milhões, o Custo do Ciclo de Vida (CCV) e as Garantias do Fabricante, Assinatura do Contrato/Início da Produção, Configuração do NApAnt capacidades BR, Customização NApAnt, a versão brasileira S/A, Prazo de Construção: 36 meses, considerações finais almirante Calheiros e almirante Cunha.

Com um Navio de Propriedade Intelectual de Proponente” (NAPIP), o estaleiro Jurong Aracruz/SEMBCORP apresentou projeto baseado no RV Investigator, um navio de pesquisas oceanográficas projetado para operar na região Antártica. Esse navio tem as seguintes características, peso de 6.082 toneladas carregado; Comprimento: 93,9 m; Boca: 18,5 m; Calado: 6,2 m; Propulsão: Diesel Elétrica com 3 Diesel Geradores MAK 9M25C (3.000 KW cada), 2 motores de propulsão elétrica reversível (2.600 kW cada) com duas hélices de passo fixo de velocidade lenta, 1 motor elétrico retrátil Azimutal de 1.200 kW; Velocidade: 12kts; Alcance: 10.000 milhas náuticas (19.000 km) ou 60 dias; Tripulação: 20 tripulantes e até 40 cientistas.

O projeto será customizado localmente com adição de hangar e convoo, por exemplo, mas muitas características do navio serão mantidas, com a Indústria Naval Brasileira participando ativamente para atingir o índice de nacionalização do futuro NApAnt em pelo menos 45%.

Assim, a Marinha do Brasil injeta investimentos na indústria naval brasileira, com projetos em três diferentes Estados: Santa Catarina (Fragatas Classe Tamandaré ou FCT), Rio de Janeiro (Programa de Submarinos ou PROSUB) e agora o Espírito Santo com o NApAnt (Navio de Apoio Antartico).

Canal Caiafamaster: O que define o conceito de um Navio de Apoio Antártico?

Alte.Cunha: O início de um contrato visando obter um novo navio para a Marinha do Brasil já é algo muito importante, e no caso do NapAnt, a Marinha do Brasil continuará mantendo a tradição, agora com grande salto em tecnologia, na missão de levar a ciência brasileira e suas pesquisas científicas até a Antártica.

Canal Caiafamaster: Os senhores poderiam discorrer sobre o modelo de aquisição e obtenção proposto para esse navio?

Alte. Cunha: Foi um modelo muito parecido com o modelo empregado na Fragatas Classe Tamandaré, assim, contratamos mais uma vez a Fundação Getúlio Vargas para nos auxiliar tanto no short-list quanto na escolha do Consórcio que realmente entregasse a melhor oferta. A FGV organizou de forma metodológica e científica os mais de 300 critérios de escolha e também a matriz de risco e seus fatores de avaliação. Ao mesmo tempo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entrou com sua expertise para implementar uma métrica de conteúdo nacional para o navio da ordem de 45% do contrato, repetindo mais uma vez o que foi feito no contrato das Fragatas Classe Tamandaré Assim, escolhemos dois órgãos de controle fora da estrutura administrativa da Marinha, o que dá mais legitimidade e credibilidade ao processo.

Canal Caiafamaster: Alte. Calheiros, o senhor pode nos dar informações sobre o estaleiro Jurong Aracruz/SEMBCORP, vencedor pela melhor oferta?

Alte. Calheiros: Trata-se de um estaleiro de muita tradição, trabalhando em estreita parceria com o SEMBCORP MARINE* de Singapura, um escritório de projetos mundialmente conhecido e que apresentou uma proposta de qualidade dentro da realidade pretendida pela Marinha e confirmada com a vitória dessa SPE no processo de escolha.

Canal Caiafamaster: O recurso para o NApAnt, de R$ 750 milhões (2020) será suficiente para construir o navio mantendo o “estado-da-arte”?

Alte. Cunha: Todos os proponentes já sabiam de antemão qual era o valor que a Marinha tinha para pagar o navio, e com o investimento em renda fixa nesse último ano, único autorizado para a Emgepron, esse valor hoje está em cerca de R$ 780 milhões corrigido.

Mas não é só valor do navio que conta, existiram outras variáveis que influíram na decisão, a saber o desempenho do navio, a técnica construtiva, e por fim a modelagem financeira, onde entra em parte o valor a ser pago pelo navio.

Canal Caiafamaster: Com relação a Gestão do Ciclo de Vida do Navio e as garantias do Fabricante, o que os senhores podem informar?

Alte. Cunha: Uma das variáveis era justamente a Gestão do Ciclo de Vida. Esse modelo efetivamente teve a sua melhor performance na proposta vencedora, no momento estamos negociando os termos de garantia para os diversos sistemas de bordo.

Canal Caiafamaster: Quais as previsões de prazos para assinatura do contrato e construção do navio?

Alte. Cunha: O NApAnt é menos complexo, por exemplo, que uma fragata Tamandaré, e acreditamos que em oito meses teremos a assinatura do contrato. Para a construção do navio, a contar da assinatura, o prazo de 36 meses é a média de mercado para esse tipo de projeto especializado, portanto do anúncio de hoje até a entrega, teremos um horizonte de quase quatro anos pela frente de muito trabalho.

Canal Caiafamaster: A Marinha já tem o modelo de navio do fabricante em vista?

Alte. Cunha: Sim, já temos um modelo em vista, baseado no conhecimento dos vencedor nesse tipo de projeto com exemplares navegando e entregues. Normalmente, o projeto do proponente vencedor é um Navio de Propriedade Intelectual de Proponente ou NAPIP, e o nosso NApAnt terá customizações delineadas pela Marinha do Brasil, mas de forma resumida podemos dizer que o navio deverá transportar um pouco mais de carga que o projeto original, deverá possuir um guindaste (crane)com maior capacidade de manejar carga que o atualmente em uso, e deverá possuir convoo e hangar na popa para operar com helicópteros de pequeno e médio porte.

Canal Caiafamaster: As suas considerações finais, Alte. Calheiros?

Alte. Calheiros: Uma coisa interessante se comparármos o processo de aquisição e obtenção do NApAnt com a Fragata Tamandaré, nós escrevemos os requisitos e buscamos no mercado uma solução já pronta que se aproxime ao máximo desses requisitos, daí o proponente faz as modificações para atender os nossos requisitos com base no projeto existente, e isso exige estudos que demandam recursos e no final das comparações podemos afirmar que temos um projeto seguro, viável, de muita qualidade técnica e estamos satisfeitos com esse resultado.

Canal Caiafamaster: Considerações finais, Alte. Cunha?

Alte. Cunha: Hoje é um dia de grande alegria não só para a Marinha do Brasil como para a comunidade científica brasileira que recebe a notícia desse navio com grande entusiasmo, pois ele irá substituir o cançadoi Ary Rongel daqui alguns anos. Temos a certeza de que será um grande sucesso a construção do NApAnt, assim como já está sendo o Programa das Fragatas Classe Tramandaré e o Programa de Submarinos.

*A Sembcorp Marine fornece soluções de engenharia inovadoras para as indústrias globais offshore, marítimas e de energia.

Com sede em Cingapura, o Grupo tem cerca de 60 anos de experiência no projeto e construção de sondas, flutuadores, plataformas offshore e embarcações especializadas, bem como na reparação, atualização e conversão de diferentes tipos de navios.

As soluções da Sembcorp Marine se concentram nas seguintes áreas: Renováveis, Processos, Gás, Ocean Living e Equipamentos de Perfuração Avançada.

Os clientes da Sembcorp Marine incluem grandes empresas de energia, proprietários de unidades de produção flutuantes, companhias de navegação e operadores de cruzeiros e balsas.

Eles são apoiados por quatro unidades comerciais: Rigs & Floaters; Reparos & Atualizações; Plataformas Offshore e Construção Naval Especializada. A Sembcorp Marine opera estaleiros e outras instalações em Cingapura, Indonésia, Reino Unido, Noruega e Brasil.

What is your reaction?

Excited
0
Happy
0
In Love
0
Not Sure
0
Silly
0
Roberto Caiafa
Jornalista e Repórter Fotográfico especializado na Editoria de Defesa com mais de 15 anos de experiência profissional. Corresponsal no Brasil de Infodefensa desde abril de 2011. Youtube Canal Caiafamaster (https://www.youtube.com/c/caiafamaster)

You may also like

1 Comment

  1. Caiafão, sou do Espirito Santo, tenho muitos amigos que fizeram engenharia comigo que estão trabalhando no estaleiro. É uma emprea de primeira, e com uma demanda muito boa de clientes. Certamente frustou a ideia e chantagem do estaleiro em Itaguaí para manter a mão-de-obra que provavelmente deve receber mais pedidos de sub em breve, mas esse navio sairá de primeira.

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

More in:COBERTURA