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Cabo submarino que ligará Brasil e Europa já está na África

No início do século XX, 3 cabos telegráficos juntaram o Brasil à Europa e 2 foram para a América do Norte.
Hoje, 8 cabos ligam o Brasil à América do Norte e apenas 1 vai para a Europa.
O tráfego para a América do Norte é 1000 vezes superior ao tráfego para a Europa.
Inconsistente com as relações económicas e culturais.
O Brasil e a Europa devem ser capazes de comunicar em privacidade.
A América Latina precisa da nova ligação submarina à Europa porque não pode contar apenas com a conectividade à América do Norte para o seu desenvolvimento.

O cabo submarino de fibra óptica que ligará as cidades de Fortaleza, no Ceará, a Sines, em Portugal, e permitirá o tráfego de dados de 72 terabits por segundo e latência de 60 milissegundos, já chegou em Cabo Verde, na África.

Segundo um comunicado da Cabo Verde Telecom – CVT, a amarração do cabo vai ser realizada na quinta-feira, dia 18 de fevereiro, na praia do Portinho.

A empresa destaca ainda que o projeto é considerado de “grande importância para o desenvolvimento das comunicações em Cabo Verde” porque representa um “leque muito valioso de oportunidades em matéria de conectividade, mobilidade e também de integração”.

A ancoragem do cabo aconteceu no dia 14 de dezembro, na Praia do Futuro, em Fortaleza, no Ceará, e o projeto tem expectativa de conclusão para junho de 2021.

De acordo com o Ministério das Comunicações, o cabo se estendeu para pontos no Rio de Janeiro e em São Paulo, e, além de conexões na África, passará por outros países europeus, ilhas do Atlântico e também pela Guiana Francesa.

A instalação do cabo submarino é feita por uma empresa privada, a Ellalink, e custará R$ 1 bilhão.

O cabo com 6 mil quilômetros de extensão, pode chegar a 5 quilômetros de profundidade em alguns locais.

Atualmente, a comunicação entre Brasil e Europa passa antes pelos Estados Unidos, o que dobra o caminho percorrido: 12 mil quilômetros.

Os cabos submarinos são usados em trechos de mar para ligar estações terrestres e transmitir sinais de telecomunicações de longas distâncias.

Tais cabos recebem proteção mecânica adicional para que sejam instalados sob a água: geralmente, têm interior de aço e isolamento especial.

Eles podem ser metálicos, coaxiais ou ópticos — que são os mais utilizados atualmente.

Com esta operação, um investimento de 150 milhões de euros, apontada como uma das grandes apostas para a Presidência Portuguesa da Comissão Europeia, EllaLink abrirá um “corredor” para a transmissão de dados entre os dois continentes, proporcionando novas oportunidades para o mercado europeu.
Para além da primeira ligação direta de cabos submarinos de alta velocidade entre a Europa e a América Latina, o sistema EllaLink inclui também várias rotas terrestres que ligam centros de dados estratégicos em Lisboa, Madrid, Marselha, São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza em parceria com o Equinix e a Interxion.
Ao longo das últimas décadas, o consumo de produtos digitais desencadeou a necessidade de conectividade entre países e continentes, desde a simples transmissão de voz até à transmissão em tempo real de vídeos em streaming, e todas as futuras aplicações que serão possíveis graças à implementação de 5G a nível mundial.
Estas aplicações requerem menos latência, ou seja, o menor tempo que a informação demora a passar na rede, dos utilizadores para os Centros de Dados e plataformas.
As aplicações são tão sensíveis aos valores de latência que estes se tornaram um factor essencial para o mundo digital.
Ao criar a rota direta mais curta entre a Europa e a América Latina, evitando a passagem por países terceiros, a EllaLink reduz a latência em 50% em comparação com a infra-estrutura atual, atingindo um valor real de menos de 60ms entre Portugal e o Brasil.
A tecnologia de ponta utilizada no sistema EllaLink garante um acesso de alta qualidade aos serviços e aplicações de telecomunicações, através de uma ligação directa de alta velocidade com uma latência muito baixa.
Isto será benéfico não só para todas as plataformas de telecomunicações, mas também para serviços na Nuvem, acesso a conteúdos, todos os tipos de negócios digitais e até mesmo para a indústria do jogo.
Durante os primeiros meses de 2021, EllaLink reforçará a sua rede para que esta possa estar operacional no final do segundo trimestre.
Estão previstas ligações para a ilha da Madeira e Cabo Verde, mas também para Marselha, o que permitirá uma maior conectividade com África, Ásia e Médio Oriente.
Outros pontos potenciais de ligação com a Mauritânia, Marrocos, Guiana Francesa e as Ilhas Canárias já estão previstos.

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Roberto Caiafa
Jornalista e Repórter Fotográfico especializado na Editoria de Defesa com mais de 15 anos de experiência profissional. Corresponsal no Brasil de Infodefensa desde abril de 2011. Youtube Canal Caiafamaster (https://www.youtube.com/c/caiafamaster)

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1 Comment

  1. Com todo respeito, bomba para que? Se vamos ter cabos! Espero que nunca precisarmos usar os “cabos” em uma futura e possível guerra.

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